sábado, 17 de agosto de 2019

O rei está morto. Vida longa ao rei.
Mais de 40 anos depois de sua morte, milhões ainda reverenciam o Rei do Rock and Roll. Eles tocam sua música, cantam suas canções e mergulham de cabeça em imitações ruins do homem. Millennials nascidos décadas depois que ele morreu (16 de agosto de 1977, aos 42 anos) podem não conhecer “Heartbreak Hotel” ou “Hound Dog”, mas conhecem seu nome. Mesmo depois de todo esse tempo, a cultura ainda o chama pelo seu primeiro nome: Elvis.
Todavia, apesar de todos os seus singles que chegaram ao topo (18, sendo que foram 11 em seguida), todos os seus álbuns de sucesso (14 deles receberam disco de ouro ou platina) e toda sua influência óbvia na música popular, a vida e o legado de Elvis Presley são complexos (principalmente em relação à sua fé cristã, que ele afirmou ter abraçado, mas nem sempre a seguia muito bem).
“Li muitas biografias de pessoas próximas a ele que diziam que Elvis sempre estava em conflito com Deus”, diz Mark Macias, que escreveu The King: The Final Hours, uma peça que especula sobre como teriam sido os últimos momentos de Elvis na Terra. “Ele queria dar seu talento a Deus, mas o mundo era tentador demais para ser resistido.”
O relacionamento de Elvis com Deus começou cedo. Ele e sua família frequentavam a Primeira Igreja Assembleia de Deus ao leste de Tupelo, Mississippi. Ele foi batizado duas vezes quando criança – uma vez em Tupelo e novamente quando adolescente por um pastor pentecostal unicista em Memphis. (Ele ainda foi batizado pela terceira vez, desta vez postumamente, pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.) Segundo todos os relatos, ele era profundamente religioso.
“Eu creio na Bíblia”, disse ele uma vez. “Eu creio que todas as coisas boas vêm de Deus. Eu não acredito que eu cantaria do jeito que eu canto se Deus não quisesse.”
Para Elvis, o cristianismo e a música estavam intimamente entrelaçados desde o começo de sua vida. Sua mãe, Gladys, diz que (em uma história repetida pelo Beliefnet.com), mesmo quando criança, Elvis se mexia no colo durante os cultos, corria para a frente da igreja e assistia ao coral cantar, às vezes imitando os movimentos do coro.
Lisa Marie Presley, filha de Elvis, diz que o gospel era “sem dúvida” seu gênero favorito. “Ele parecia estar em seu momento mais apaixonado e em paz quando cantava gospel”, escreveu ela no encarte do álbum de No One Stands Alone (um álbum das gravações gospel de Elvis lançado no início de agosto de 2018). No documentário de 1972, Elvis on Tour, Elvis diz que, mesmo naquela época (nos últimos estágios de sua carreira) o gospel era uma fonte constante de consolo. “Fazemos dois shows por noite durante cinco semanas [em Las Vegas]”, disse ele. “Muitas vezes nós vamos lá para cima e cantamos até o raiar do dia. Cantamos gospel. Nós crescemos com o gospel. Ele deixa sua mente um pouco mais tranquila. Tranquiliza a minha mente.”
Macias diz que cresceu amando Elvis e que suas músicas gospel faziam parte da trilha sonora de sua infância. “Há uma história famosa sobre Elvis gravando um álbum gospel”, diz Macias. “Quando a gravação terminou, ele estava chorando e todos na sala se comoveram. Elvis depois disse a todos que podia sentir Deus diretamente quando cantava essas músicas cristãs para Ele.”
No entanto, embora o gospel fosse uma parte enorme e duradoura da vida de Elvis, a mensagem do evangelho às vezes se perdia na confusão.
Escrevendo para a The Gospel Music Magazine, Cheryl Thurber descreveu Elvis como “uma pessoa que estava em uma busca espiritual”. E, embora Elvis carregasse a Bíblia consigo para todos os lugares, ele também leu a Autobiografia de um Iogue e O Profeta. Em seu livro Careless Love: The Unamaking of Elvis Presley, Peter Guralnick diz que Elvis passou seus últimos meses de vida em reclusão na maior parte do tempo – sua única companhia era uma série de livros sobre espiritualismo.
De acordo com a Christian Today, Elvis disse certa vez: “Tudo o que eu quero é conhecer a verdade, conhecer e experimentar Deus. Sou uma pessoa que está em uma busca. É isso que eu sou.”
Entretanto, até mesmo as pessoas mais sinceras que se encontram em uma busca espiritual podem se desviar. Fama e fortuna podem ser um prejuízo para a fé. Elvis, que nasceu em uma casa de dois cômodos em Tupelo, teve acesso a inúmeras tentações durante sua grande carreira. Sabemos, infelizmente, onde essas tentações o levaram. Na época em que ele morreu, ele estava muito acima do peso e abusava de uma série de drogas[1].
“Isolamento gera abuso de drogas”, diz o falecido Tom Petty na biografia de duas partes da HBO, Elvis Presley: The Searcher. “Sabemos que precisava ser muito solitário. Há um momento em que você tem sucesso e fica realmente rico, e há o dia em que chega a carta que diz que nada disso te fará feliz. Ele sabia que precisava encontrar alguma coisa, mas acho que desistiu.”
Mas Macias especula que, em suas últimas horas, Elvis retornou à fé – um retorno narrado em sua peça.
“Acho que nas últimas horas de Elvis Presley ele pediu a Deus que o perdoasse”, diz Macias. “Ele sabia que havia cometido erros na vida e se arrependeu de algumas das escolhas que fez. Durante suas últimas horas, sabemos que Elvis foi ao piano e tocou músicas cristãs. Duvido que ele fizesse isso todas as noites. Será que esse ato então nos dá alguma indicação de que Elvis estava clamando por Deus? Eu acredito que sim.”
“A maioria dos artistas é sensível”, continua Macias. “Essa é a maneira como nós criamos. Nós nos aprofundamos em nós mesmos e sentimos. Elvis era um grande artista e cantor porque sabia como penetrar fundo em seu espírito e se conectar com um poder superior. Pessoalmente, acho que ele aprendeu isso na igreja quando era menino e isso nunca o deixou”.
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[1] Nota do tradutor: Em inglês, a palavra drug é ambígua, podendo se referir tanto a drogas tóxicas como a medicamentos.
Traduzido e revisado por Jonathan Silveira.
Paul Asay é crítico de cinema no site Plugged In e tem escrito em diversos websites, jornais e revistas, como Time, The Washington Post e Beliefnet.com. É autor e coautor de vários livros, incluindo Burning Bush 2.0: How Pop Culure Replaced the Prophet.


Texto do Blog Tú Porém, todo crédito ao blog.

terça-feira, 6 de agosto de 2019


JACÓ ARMÍNIO
E A DOUTRINA DA ELEIÇÃO
C. Kleber Maia

A maioria dos teólogos protestantes, herdeiros da Reforma do século XVI, crê que Deus predestina indivíduos para a salvação ou para a condenação eterna, mas várias questões são polêmicas, tais como: Qual a base escolhida por Deus, para a eleição ou condenação? Qual o papel de Cristo e de cada indivíduo neste processo? O que esta doutrina revela sobre o caráter de Deus?
O teólogo holandês Jacó Armínio (1559-1609) rejeitou a dupla predestinação proposta por João Calvino (1509-1564), que afirma que Deus, por meio de um decreto, elege alguns homens para a salvação e reprova outros homens, condenando-os à eterna punição no inferno, sem levar em conta qualquer ato ou condição destes homens[1], e, por isso, foi acusado de propagar heresias, como o pelagianismo[2] ou o socialismo[3].
Jacó Armínio nasceu em Oudewater, na Holanda, e latinizou seu nome para Jacobus Arminius; iniciou a sua formação teológica em Leiden, depois estudou em Genebra, sob a direção de Teodoro Beza, sucessor de Calvino, transferiu-se para a Universidade da Basileia, e concluiu seus estudos em Genebra. Em 1588, aos 29 anos de idade, retornou à Holanda e tornou-se o pastor da principal igreja protestante do país, em Amsterdã, a qual pastoreou por 15 anos.
Em 1603 Armínio foi nomeado professor de Teologia na Universidade de Leiden. Ali, ele enfrentou muitas controvérsias e oposição de outros professores, especialmente Francisco Gomaro, que o acusava de heresia, forçando-o a apresentar uma defesa de sua posição. Em Leiden, ele escreveu discursos, disputas públicas e privadas, tratados teológicos e apologéticos, incluindo a Declaração de Sentimentos, sua principal obra. 
Armínio faleceu em 19 de outubro de 1609. No seu funeral, seu amigo Bertius proferiu a honrosa oração: “Viveu na Holanda um homem; os que o conheceram não puderam estima-lo adequadamente; os que não o estimavam, jamais o conheceram adequadamente”.
Jacó Armínio permaneceu dentro da Igreja reformada da Holanda toda a sua vida, mas sua teologia “segue uma trajetória diferente da teologia de seus oponentes” (STANGLIN; McCALL, 2016, p. 37). Seu principal biógrafo afirma que ele nunca concordou com o pensamento de Beza quanto à dupla predestinação (BANGS, 2015, p. 160). Em suas pregações na Epístola aos Romanos, ele já negava a eleição incondicional e a graça irresistível (OLSON, 2001, p. 473).
Armínio conceitua a eleição[4] para a salvação como “o decreto eterno de Deus, pelo qual, de si mesmo, desde a eternidade, Ele decidiu justificar em Cristo (ou por Cristo) os fiéis, e aceita-los na vida eterna, para o louvor da sua gloriosa graça” (ARMÍNIO, v3, p. 300).
Porque Deus é o summum bonum, sua volição para com suas criaturas é benevolente; sua primeira ação para com elas não pode ser a condenação. Ele fundamenta seu entendimento acerca da salvação no duplo amor de Deus: amor a Si mesmo (à Sua justiça e retidão) e o amor às suas criaturas. A ideia de Deus criar pessoas para que pudesse salvar alguns e enviar outros para o inferno é vista por Armínio como totalmente inconsistente com o caráter e a natureza de Deus.
Para Armínio, a eleição é cristocêntrica, pois ela acontece inteiramente “em Cristo”. Ele considera que a visão calvinista não honra adequadamente a Cristo, e faz da salvação “apenas uma causa subordinada da salvação que já havia sido preordenada” (ARMÍNIO, v1, p. 230).
Na “Declaração de Sentimentos”, ele expõe a sua visão sobre a predestinação, baseando-a não na lógica dos decretos divinos, como fizeram seus oponentes, mas na pessoa e obra de Jesus. Na sua ordem dos decretos, o primeiro é aquele no qual o Pai elege Cristo como “Mediador, Redentor, Salvador, Sacerdote e Rei” (ARMÍNIO, vol. 1, p. 226). Cristo é a fundação e o foco da eleição, da salvação e do próprio cristianismo, aquele “em quem o decreto é fundamentado” (ARMÍNIO, v2, p. 100), e “a causa meritória daquelas bênçãos que foram destinadas aos fiéis por esse decreto” (ARMÍNIO, v2, p. 92).
Para Armínio, Cristo “é mais do que um meio para realizar um decreto anterior e não cristológico. Ele é mais do que o executor do decreto. Ele é o fundamento do decreto, de maneira que toda a eleição é ‘em Cristo’” (BANGS, 2015, p. 414; ARMÍNIO, v2, p. 92; v3, p. 300). Daniel (2017, p. 430) assevera que a obra de Jesus não é um instrumento “criado por Deus para formalizar a salvação que Ele já havia determinado dar a apenas algumas pessoas, as quais Ele já havia escolhido antes da fundação do mundo”.
Armínio declara que Jesus “é considerado pré-ordenado, e nós, nele, e Ele, na ordem da natureza e das causas, antes de nós. Ele foi ordenado salvador, e nós, como aqueles a serem salvos” (ARMÍNIO, v3, p. 131). Colocar a eleição dos homens em primeiro lugar, como no calvinismo, é inverter a ordem apresentada nas Escrituras (ARMÍNIO, v3, p. 310).
Para ele, Deus ama a humanidade exclusivamente “em Cristo” (ARMÍNIO, v1, p. 230), pois “a justiça de Deus exige que seja feita a reconciliação pelo sangue de Cristo” (ARMÍNIO, v3, p. 310). Ele assegura que não poderia haver nenhum lugar para a predestinação, exceto em Cristo, “visto que Deus não pode amar um pecador para a salvação, a não ser que o pecador se reconcilie com Ele em Cristo” (ARMÍNIO, v3, p. 287).
Armínio rejeitou a doutrina calvinista da dupla predestinação, por diversas razões: não é o fundamento do cristianismo, nem da salvação; não foi admitido por Concílios, nem nas Confissões, nem pelos doutores da igreja; fere a natureza de Deus e do homem; é contrária ao ato da criação e à natureza da vida e da condenação eterna; é incoerente com a natureza do pecado e da graça; faz de Deus o único pecador; é prejudicial à salvação, inverte a ordem do evangelho e subverte o fundamento da religião (ARMÍNIO, v1, p. 226-227).
Ele defende, ainda, que a eleição é condicional. Acerca do decreto da eleição individual, ele afirma que ele “tem o seu embasamento na presciência de Deus, pela qual Ele sabe, desde toda a eternidade, que tais indivíduos, por meio de sua graça preventiva, creriam, e por sua graça subsequente, perseverariam” (ARMÍNIO, v1, p. 227). A explicação de Armínio da natureza da predestinação “é completamente teocêntrica” (STANGLIN; McCALL, 2016, p. 43). Deus conhece certamente aquele que atende à condição que Ele mesmo estabeleceu para a salvação, a fé. A salvação é ofertada a partir da presciência divina da desobediência humana, e declara que não encontra na Bíblia “algum decreto, pelo qual Deus tenha decidido exibir a sua própria glória, na salvação destes e na condenação daqueles, exceto pela presciência da queda” (ARMÍNIO, v3, p. 64).
Sem este conhecimento divino não poderia haver eleição condicional. Armínio afirma que “Deus não pode ‘amar previamente e considerar, afetuosamente, como seu’ a nenhum pecador”, a não ser que Ele o conheça previamente, em Cristo, e o considere como um crente (ARMÍNIO, v3, p. 455). A fé prevista é condição indispensável para a eleição: “Ninguém está em Cristo, exceto pela fé; pois Cristo habita em nossos corações pela fé, e somos enxertados nele e incorporados nele pela fé. Portanto, Deus não reconhece como seu e não escolhe para a vida eterna nenhum pecador, a menos que o considere como um crente em Cristo, e feito um só, com Ele, pela fé” (ARMÍNIO, v3, p. 303).
A fé necessária para a salvação deve ser perseverante, pois “se alguém cair da fé, cai dessa união e, em consequência disso, da benevolência de Deus pela qual foi aceito, previamente, em Cristo”. (ARMÍNIO, v3, p. 463). Para Armínio, o crente precisa perseverar na fé para ser, de fato, um eleito (ARMÍNIO, v1, p. 350, 351).
Deus pode requerer fé do ser humano, pois “decidiu conceder aos homens graça suficiente, pela qual os homens podem crer” (ARMÍNIO, v1, p. 348).  A graça salvadora objetiva restaurar a natureza caída e habilitar o homem a crer e buscar a Deus. A fé é a condição da eleição, não a base meritória dela (ARMÍNIO, v1, p. 507). A eleição, para ele, é eterna (ARMÍNIO, v1, p. 507), pessoal e individual (ARMÍNIO, v1, p. 227)[5].
Estabelecendo, em sua teologia, a necessidade primordial da graça divina para que o homem possa crer, Armínio é inocentado da acusação de sustentar o pelagianismo, colocando a iniciativa para a salvação exclusivamente em Deus. Para ele, a eleição deve ser graciosa e evangélica - apresentar uma boa nova de salvação (ARMÍNIO, v2, p. 92). A predestinação não pode ser um decreto de condenação, mas que compartilhe a boa notícia de que todos podem ser salvos, pela fé em Cristo.
Ele considera que a reprovação eterna é baseada na presciência divina dos pecados cometidos pelos homens (ARMÍNIO, v3, p. 343, 344) e que esta reprovação “necessariamente tem duas coisas que a antecedem: o ódio pela injustiça, e a presciência de que o indivíduo, por sua própria culpa, será culpado de injustiça, por omissão ou por comissão” (ARMÍNIO, v3, p. 335).

Conclusões

Armínio entendia que a predestinação revela o coração de um Deus gracioso, cuja característica fundamental é o amor. Embora Deus permita que alguns pereçam, sendo reprovados eternamente, isto ocorre de acordo com a resposta que as pessoas darão à Sua graça. O ser humano diz “não” ao resistir à graça divina, que o capacita a dizer “sim”.
A eleição, para ele, é cristocêntrica; Cristo é o Eleito primeiro, como Salvador de todos homens, que serão eleitos nele, ao crerem, aceitando a oferta da livre graça divina, quando não resistem ao chamado do Espírito Santo, na apresentação do evangelho.
A eleição de Cristo, como salvador de todos os homens, como oferta graciosa de Deus a ser recebida em fé por um coração que já foi predisposto pela graça é o que melhor representa a natureza do Deus amoroso que enviou Seu Filho para morrer pelos homens, a natureza do homem (criado à imagem de Deus), do evangelho, como boas novas, do pecado como rebeldia e da graça como livre, capacitante e universal.
Armínio não defende um sinergismo igualitário, onde Deus e homem caminham para uma reconciliação para a qual ambos tomaram a iniciativa, mas um sinergismo[6] onde Deus toma toda a iniciativa e proporciona todos os meios, requerendo apenas que o homem confie em seu Salvador.
Ele sustenta os princípios reformados - Sola Scriptura, Sola Gratia e Sola Fide - salvação pela graça por intermédio da fé, conforme as Escrituras. Também eleva o valor da cristologia, e tenta entender todas as demais doutrinas à luz da revelação de Deus em Cristo Jesus.
A teologia de Armínio e seu entendimento quanto à Eleição para a Salvação oferece esperança para a igreja, e para a teologia, ao tornar o evangelho acessível a todos e a certeza da salvação possível, aos que creem em Cristo.

REFERÊNCIAS


ARMINIO, Jacó. As Obras de Armínio. 3 volumes. Traduzida por Degmar Ribas. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
BANGS, Carl. O. Armínio – um estudo da reforma holandesa. Traduzida por Wellington Mariano. São Paulo: Reflexão, 2015.
DANIEL, Silas. Arminianismo, A Mecânica da Salvação: Uma exposição histórica, doutrinária e exegética sobre a graça de Deus e a responsabilidade humana. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
OLSON, Roger E. História da Teologia Cristã – 2000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Vida, 2001.
OLSON, Roger E. Teologia Arminiana – mitos e realidades. Traduzida por Wellington Mariano. São Paulo: Reflexão, 2013.
PICIRILLI, Robert R. Graça, Fé e Livre Arbítrio – visões contrastantes da salvação: calvinismo e arminianismo. São Paulo: Reflexão, 2017.
SHANK, Robert. Eleitos no Filho: um estudo sobre a doutrina da eleição. São Paulo: Reflexão, 2015.
STANGLIN, Keith D.; MCCALL, Thomas H. Jacó Armínio – teólogo da graça. São Paulo: Reflexão, 2016.


Carlos Kleber Maia é pastor da Assembleia de Deus no RN, mestrando em Teologia (FABAPAR) e Pós-graduado em Teologia do Novo Testamento Aplicada (FTBP). É responsável pelo canal Graça e Poder (www.youtube.com/c/graçaepoder).


[1] Timothy George (Teologia dos Reformadores, São Paulo, Vida Nova, 1994, p. 232) define a predestinação calvinista como: absoluta, já que não está condicionada a nenhuma contingência finita; particular, pois pertence a indivíduos e não a grupos; dupla, pois Deus, para Seu louvor, elegeu uns para a vida eterna, e outros para a perdição eterna.
[2] O pelagianismo é defendido por Pelágio, um monge britânico do séc. IV; prega que o homem tem capacidade natural de viver uma vida santa e sem pecado e alcançar a salvação por sua vontade livre; nega o pecado original, e minimiza a necessidade da expiação realizada por Cristo e da graça divina para a salvação, cf. TITILLO, Thiago Velozo, A Gênese da Predestinação na História da Teologia, Fonte Editorial, 2013.
[3] O socianismo ou socinianismo está ligado a Fausto Socino (falecido em 1604); não crê na Trindade e rejeita a doutrina do pecado original, entre outras doutrinas.
[4] Armínio, como Calvino e outros teólogos, utiliza os termos “predestinação” e “eleição” como sinônimos, de forma intercambiável. Silas Daniel ressalta a diferença entre estes dois conceitos teológicos, afirmando que “conquanto sejam duas coisas intimamente relacionadas, não são uma e a mesma coisa, e predestinação não envolve condenação eterna” (DANIEL, 2017, p. 423, 424).
[5] Muitos arminianos posteriores, como H. Orton Wiley, Robert Shank e William Klein, defenderam uma visão corporativa da eleição. Ver COTTRELL, Jack em PINNOCK, Clark H.; WAGNER, John D. Graça para Todos: a dinâmica arminiana da salvação, São Paulo, Reflexão, 2016.
[6] Sinergismo é a crença teológica na livre participação humana na salvação. Roger Olson (2013, p. 24) faz distinção entre sinergismo evangélico (arminianismo clássico) e o sinergismo herético (pelagianismo). Leroy Forlines (Classical Arminianism, 2011, p. 264, 267) usa a terminologia “monergismo condicional”. Mathew Pinson afirma que a visão de Armínio não representa “uma forma de sinergismo no qual a obra de Deus e a obra do homem cooperam, mas sim uma relação na qual a vontade e a obra de Deus dentro do homem [são] bem-vindas numa atitude de confiança e submissão” (PICIRILLI, 2017, p. 195).

EBD CAST | 02/01/2026 | Rádio AD FM SP